segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quarto do padre Komórek será aberto para visitação

Matéria publicada no Jornal O VALE  de domingo, 09 de dezembro:


Parque Vicentina Aranha - Foto: Thiago Leon Parque Vicentina Aranha - Foto: Thiago Leon


Religioso passou os três últimos meses de vida no sanatório Vicentina Aranha para se tratar de uma tuberculose 
Beatriz Rosa
 São José dos Campos

Os fiéis devotos do padre Rodolfo Komórek poderão visitar o quarto onde o religioso viveu nos três últimos meses de vida, no antigo sanatório Vicentina Aranha, na região central de São José.


O espaço ficou fechado por mais de 20 anos, mas será reaberto na próxima terça-feira, após uma missa especial celebrada às 19h na capela Sagrado Coração de Jesus, no Vicentina Aranha.


Na data também serão celebrados os 63 anos de falecimento do religioso. 


O aposento usado por Komórek fica na ala direita do parque, atrás do pavilhão central-- no pavilhão da antiga Compania Paulista da Estrada de Ferro. À época, era utilizado como quarto de isolamento para pacientes terminais. 


O quarto resgata o ambiente original onde o padre viveu seus últimos meses de vida. A decoração é simples. Uma cama de metal branca, uma pia, uma escrivaninha com uma cadeira e um crucifixo na parede.


Entre os detalhes que chamam a atenção estão os cantos arredondados das paredes amarelo-manteiga para evitar o acúmulo de fungos e facilitar a higienização. Uma antessala dá acesso ao quarto que possui larga porta e janela para facilitar a ventilação. É de lá que os visitantes poderão conhecer o espaço. O acesso ao quarto não será permitido. O local será protegido por uma meia parede de vidro.

 
Passagem. Relatos de devotos afirmam que o religioso costumava dormir no chão e nos últimos meses de vida chegou a amarrar o livro de orações a sua mão para poder rezar. Debilitado, tinha dificuldades de segurá-lo.
 

Reabertura. Para a abertura do quarto, relíquias e objetos pessoais do venerável salesiano, que está em processo de beatificação, também serão expostas. Além de relíquias dos ossos das pernas e pés do religioso, um confessionário talhado a mão pelo próprio Komorék, radiografias de seu pulmão doente feitas no ano de sua morte, em 1949, uma estola roxa, um terço e uma foto tirada na década de 40 ficarão expostos. 

Atualmente, os objetos estão em uma capela na paróquia Sagrada Família, na Vila Ema. A visitação poderá ser feita durante o período de abertura do parque: das 6h às 22h.

 
Reforma. Há três meses, obras foram iniciadas no pavilhão onde viveu o religioso. O teto de estuque --argamassa de madeira e concreto --que ameaçava ruir, foi removido. O quarto foi pintado com as cores originais --amarelo- manteiga.

“Quando chegamos, percebemos que as pessoas ficavam do lado de fora do quarto fechado, orando pelo padre. Eles também traziam flores. Aquilo nos incomodava porque não havia um espaço adequado de visitação”, disse a diretora-geral da Ajfac (Associação Joseense para o Fomento da Arte e da Cultura), Ângela Tornelli. 


Segundo ela, com a criação do Núcleo de Patrimônio Histórico, Artístico e Humano há seis meses, foram colhidas informações de pessoas que tiveram relação com o parque e com o religioso. “Nossa preocupação foi com a preservação da memória. A abertura desse quarto é um embrião de um museu da época sanatorial em São José”, disse Angela.


Essa será a segunda homenagem ao padre. Em 11 de dezembro de 1999, durante seu cinquentenário de morte, foi descerrada uma placa.

 
Beatificação
Processo tramita no Vaticano
 
São José dos Campos
 
Conhecido popularmente como ‘padre santo’, o venerável padre Rodolfo Komórek está em processo de beatificação no Vaticano. São mais de 12 mil relatos de graças que teriam sido realizados por sua intermediação.


Seu processo de beatificação teve início em 31 de janeiro de 1964 e se encerrou em 6 de abril de 1995, quando Komórek se tornou venerável.


“Padre Rodolfo foi nossa intercessão diante de Deus e já foi declarado venerável por João Paulo 2º”, disse o irmão Alberto Gobbo, secretário da causa de beatificação.


Segundo ele, é importante zelar pelos lugares por onde ele passou. “Por onde ele passou, deixou marcas de sua caridade. Estamos reorganizando um arquivo com mais de 12 mil relatos de graças alcançadas por meio de seu intermédio”, disse irmão Gobbo.


Para ser considerado beato, é preciso confirmar pelo menos um milagre.

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