sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Olhos baixos

Olhos baixos, debilitados, ofegante, o "padre santo" cruzava as ruas de São José dos Campos com destino centro: Matriz, Santa Casa, algum Sanatório, pensão ou casa de doente.

Nos últimos tempos a fraqueza era tamanha que devia parar para poder respirar mais aliviado com o quase-nada de pulmões que ainda lhe restava. Os transeuntes o contemplavam edificados. Parecia estar com Deus.

Um dia a cidade inteira parou. Por sobre o silêncio comovido da multidão que, debaixo de chuva, o acompanhava ao cemitério, a voz de um alto-falante martelava a verdade que a todos confrangia: "Morreu o padre santo". São José estava de luto.

Desde então seu túmulo, tanto no cemitério, como no relicário (onde se encontram seus restos mortais, transladados em 1996) está sempre coberto de flores. Muitos ainda recordam o virtuoso sacerdote, humilde, comedido, atencioso... um semeador de alegria e de paz.

Falou sempre as palavras de Deus. Nas conversas familiares, no aconselhamento caridoso, na catequese esclarecida, no atendimento carinhoso aos doentes, no ministério, destacadamente no confessionário tão disputado.

Amou a Deus de todo o coração, com toda a sua alma na igreja, em casa, na rua. Com um amor que transparecia na sua Missa, na administração dos sacramentos, nas longas horas diante do sacrário, na devoção a Nossa Senhora e Dom Bosco.

Desse amor foi portador aos jovens, aos pobres, aos doentes, aos agonizantes, que nele encontravam um pai todo interessado em seu bem espiritual. Um pai austero, rigoroso consigo, extremamente bondoso com os outros.

Sem jamais perder tempo, viveu intensamente seus dias terrenos, crescendo de contínuo de virtude em virtude, à proporção que a carne se desfazia. É por isso, o "padre santo".

Obrigado Padre Rodolfo!

Ir. Alberto Gobbo, sdb
Da série "Conheça o Venerável Padre Rodolfo" publicado no Informativo Paroquial Sagrada Família.

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